sábado, 7 de dezembro de 2019
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
CARTA DO EDITOR - 3º EDITORIAL
O Espiritismo tem lado, o lado do amor
Chegamos em um momento onde agredir e ser agressor é mais importante que amar e ser sensível.
No mundo das diversidades, é tão estranho perceber que um prefeito com tantas ocupações e tanto trabalho para mostrar sua honestidade, já que vive sempre em voltas com questionamentos da justiça, usa de uma prerrogativa tão perigosa quanto a censura, manda recolher livros de uma bienal literária por imaginar que um beijo é nocivo à sociedade, em uma ação que reflete intolerância e preconceito homofóbico, em uma demonstração pública de desamor.
A história demonstra que a junção do fundamentalismo religioso e a política não nos trazem boas lembranças, os efeitos desta união foram sempre danosos e dolorosos, portanto vemos com temor esta reaproximação cada vez mais incisiva na sociedade brasileira.
Mas a nossa maior tristeza não é com os políticos conservadores da direita extrema, deles já esperamos estas ações, mas do nosso próprio povo, de pessoas que estão nas entranhas da sociedade, de onde emana todas as dores ocasionadas pelas mazelas sociais, isso sim nos causa dores íntimas profundas.
Penso: A sociedade perdeu a inocência? Ou nunca foi inocente? A sociedade não é pacata? Ou nunca foi pacata?
Pessoas que conhecem a violência tão de perto, estarem felizes, quando um corpo tomba sem vida abatido pela violência do Estado, e lutando para vociferarem justificativas vis de que se a violência é praticada pelo estado não é violência, por isso, segundo algumas autoridades, os números da famigerada morte diminuíram, estão morrendo menos pessoas, corpos negros, femininos, LGBTS e pobres não importam, por isso se morrerem por efeito colateral de 80 tiros, ou de 5 pelas costas é bala perdida. Desde que a camada branca, rica e poderosa da sociedade esteja em paz, o que ocorrer desta ação são apenas danos calculados. Na prática a violência não diminuiu, as pessoas não deixaram de morrer, e morte é morte, violência é violência, as pessoas continuam morrendo, só que o Estado é responsável pelas mortes que subtrai das estatísticas.
E por falar em covardia e assassinato onde está quem matou e quem mandou matar Marielle?
“Lá vem o Brasil descendo a ladeira”, a ladeira da ética foi e está sendo vendida pela força do fundamentalismo religioso e da falsa moral, que criminaliza o amor e torna a violência, o assassinato, a homofobia, o racismo, sexismo, xenofobia, machismo, a intolerância religiosa algo natural a tal ponto que se criaram "Mitos", mitos do ódio. O bezerro de ouro do século XXI não é de ouro é de tolices, maldades, preconceitos e crueldades.
Bom que se fale que o Espiritismo não está alheio a tudo isso que está acontecendo, a doutrina nos convida ao amor, pensemos em Jesus dizendo em Marcos 12: 30,31: “Amarás, portanto, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força", mas e se acrescentássemos “bandido bom é bandido morto?” Não coaduna com o que nos diz Jesus e consequentemente a Doutrina Espírita, não é possível a união das duas filosofias a do amor e a da violência.
Acreditamos na caridade e o amor para nós Espíritas tem a sublime missão de promover através de nossas posturas e comportamentos uma sociedade melhor, portanto se faz necessário perceber que quando discutimos violência, pensamentos e ações que insistem em validá-la em nosso meio, estamos lutando para que entendamos que o amor segundo Jesus e segundo o Espiritismo não institui prosélitos, não somos ensinados a amar este em detrimento daqueles, não institui-se categorias de seres humanos para merecerem nosso amor, somos todos seres humanos, e o amor é um sentimento ligado a nossa condição de espiritualidade e não de materialidade.
Portanto não devemos amar as pessoas por serem brancas, ricas, heteros, Espíritas, devemos amá-las por entendermos sermos todas e todos Espíritos em construção e estarmos todos emergidos na terra em busca constante de evoluirmos e fazermos do amor a nossa tônica de vida, e assim construirmos através de nós uma sociedade mais justa, igual e amorosa.
Equipe Editorial Ágora Espírita:
Alexandre Júnior
sábado, 7 de setembro de 2019
domingo, 11 de agosto de 2019
O ESPIRITISMO E OS NOVOS ARRANJOS FAMILIARES
O Espiritismo e os Novos Arranjos
Familiares.
Texto do Eixo Espiritismo Família Gênero e Sexualidades
Texto do Eixo Espiritismo Família Gênero e Sexualidades
Produção de Alexandre Júnior e Rosangela Souza.
A família
é uma instituição social, que de acordo com Engels (1984), teve início com a
origem da propriedade privada, quando os grupamentos humanos passaram de
nômades para sedentários. Os grupos foram se acomodando em torno de outros
menores até que se constituiu a família, com o contato mais próximo uns dos
outros, se desenvolveram os laços afetivos. Foi também nesse momento que
surgiu a desigualdade de gênero e o determinismo biológico dos corpos humanos,
o qual determinou papéis, status sociais, os quais definiram o lugar que homens
e mulheres passariam a ocupar na sociedade. Essa forma de organização social
instituiu o modelo de família nuclear, cujo princípio seria o homem mantenedor
e a mulher cuidadora do lar. Esse modelo foi estabelecido socialmente como padrão
“normal, como modelo a ser seguido”, no entanto, com o desenvolvimento social,
todo e qualquer outro modelo fora desse padrão seria considerado
desviante.
Segundo dados da PNAD – Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicilio, a família pode ser vista como:
a) unidade de produção (valores
de troca) e de reprodução (de indivíduos e valores de uso); b) unidade de
reprodução e consumo; c) unidade de indivíduos com laços de consanguinidade; d)
unidade de solidariedade, afeto e prazer; e) pessoas que dividem o mesmo teto e
a mesma cozinha; f) local da relação dialética entre dominação e submissão; g)
rede de parentesco (independente da moradia conjunta); h) espaço de
socialização, reprodução ideológica e conflito; etc.
Com o desenvolvimento da sociedade, os
modelos de família foram se reorganizando de modo a atender a necessidade
da sociedade vigente. Dentre os vários elementos constitutivos dos novos
arranjos familiar encontra-se os fatores econômicos, sexuais, gênero, raça e
classe social. O desenvolvimento do capitalismo foi um elemento divisor e
definidor dos novos arranjos familiares, visto que, transformou os meios de
produção bem como favoreceu a inserção da mulher no mercado de trabalho,
criando desta maneira uma forma de organização social, que por seguinte gerou
novos arranjos familiares, onde, a mulher passou a figurar como chefe de
família. Com relação às mudanças sexuais, advindas da liberdade sexual, as
famílias passaram a ser compostas por indivíduos do mesmo sexo, de mães e pais
solteiros, pais divorciados entre outros.
Ainda segundo o PNAD, novos Arranjos Familiares:
A primeira grande mudança foi a
redução do arranjo majoritário formado por casais (núcleo duplo) com filhos. Em
números aproximados, esse tipo de família estava presente em cerca de dois
terços (66%) dos domicílios, em 1980, mas caiu para algo próximo de 50% em
2010.Casais sem filhos A segunda mudança
– de maneira complementar à primeira – foi o aumento do arranjo formado apenas
pelos casais sem filhos e sem outros parentes, que passou de 12% em 1980 para
15% em 2010. Arranjo monoparental feminino: A terceira alteração foi o aumento
do arranjo monoparental feminino (núcleo simples, formado por mães com filhos),
que passou de 11,5% em 1980 para 15,3% em 2010. Arranjo monoparental masculino:
A quarta modificação foi também o aumento – ainda que de uma base menor – do
arranjo monoparental masculino (núcleo simples, formado por homens com filhos),
que passou de 0,8% em 1980 para 2,2% em 2010.
Mulheres morando sozinhas: A
quinta transformação foi o crescimento do número de mulheres morando sozinhas,
que passou de 2,8% em 1980 para 6,2% em 2010. Homens morando sozinhos: A sexta
foi o crescimento do número de homens morando sozinhos, que passou de 3% em
1980 para 6,5% em 2010. E, finalmente, a sétima mudança aconteceu com a redução
do percentual de famílias compostas e extensas (casais, filhos, parentes e
agregados) que caiu de 4,8% para 2,2% no mesmo período.
O censo demográfico de 2010, conduzido
pelo IBGE, abriu, pela primeira vez, a possibilidade dos casais do mesmo sexo,
que moram no mesmo domicílio, serem considerados um núcleo familiar. Os dados
indicaram a presença de cerca de 60 mil casais formados por pessoas do mesmo
sexo e um deles se declarou como chefe. Mas, se os casais moram em casas
diferentes ou nenhum deles se declarou como chefe, não foram identificados pelo
censo. As mulheres são maioria nos arranjos homoafetivos, inclusive na
homoparentalidade. Portanto, já existem crianças com dupla “maternidade” ou
dupla “paternidade”. Também não foi levantada a informação sobre orientação
sexual.
Os
incontáveis questionamentos em torno dos novos arranjos familiares levam a
reflexão das famílias que não se enquadram no modelo de família nuclear e se
baseiam nas relações biológicas e não biológicas.
O Espiritismo revelou a família como o local
onde os Espíritos estão ligados por elos familiares, dado que muitas vezes eles
são atraídos para tal ou qual família pela simpatia, ou pelos laços que
anteriormente se estabeleceram. Não raro, esses elos são interrompidos pelo
egoísmo, egocentrismo e vaidade humana.
Independente dos novos arranjos familiares, o Espiritismo traz no livro
dos Espíritos, na questão 205,
Segundo certas pessoas, a doutrina da
reencarnação parece destruir os laços de família, fazendo-as remontar as existências
anteriores? Ela as amplia ao invés de
destruí-los. Baseando-se o parentesco em afeições anteriores, os laços que unem
os membros de uma mesma família são menos precários. A reencarnação amplia os
deveres da fraternidade, pois no nosso vizinho ou no vosso criado pode
encontrar-se um Espírito que foi do vosso sangue.
Ainda sobre o processo reencarnatório a pergunta o livro dos espíritos
na questão 200 e 201, responde que os espíritos não como o entendeis, pois que
os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados
na concordância dos sentimentos, pois o espírito que o que animou o corpo de um
homem pode animar um corpo de uma mulher e vice-versa.
Os novos arranjos familiares foram construídos a partir das
transformações sociais, que refletiram nas diferentes formas que se costurou os
papéis de homens e mulheres dentro da família. Um dos grandes embates da
sociedade contemporânea se volta para questão da família formada por
casais do mesmo sexo. Todavia, o Livro dos Espíritos traz que a experiência em
família é decorrente das experiências reencarnatórias anteriores e das
afinidades, e, que os espíritos não têm sexo, que este serve apenas para
experiências, como pode ser tão discriminado esse arranjo familiar, já que a
família serve a evolução espiritual e moral humana? Estaríamos nós em evolução, se nos apegarmos a
limitação moral de não aceitar as diferenças? Esse texto serve a reflexão em
relação ao que traz a Doutrina Espírita e a nossa experiência, enquanto seres
em evolução.
Referências
Dados da PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio em Senso
Demográfico realizado em 2010 pelo IBGE Instituto Nacional de Geografia e Estatística.
ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, 1984, p.3.
KARDEC, O Livro dos Espíritos, pergunta 200, 201, 202, 205, LAKE,
2007, Tradução José Herculano Pires.
sábado, 10 de agosto de 2019
PENSANDO O RACISMO E A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
Pensando o Racismo e a Intolerância
Religiosa
Texto do eixo de pesquisa Espiritismo Racismo e Intolerância Religiosa.
Produção de Aldo Alves, Felipe Aragão e Gustavo Filizzola.
Codificado
por Kardec em meados do século
XIX, o Espiritismo é trazido à Terra pelos Espíritos Superiores no
momento em que há uma profunda valorização da Razão e do engenho humano como
instrumentos de avanço, senão social, ao menos científico, portanto, para uma
nova premissa, foi necessário uma nova terminologia, posto que “(...). em vez
das palavras espiritual, espiritualismo, empregamos para indicar a crença a que
vimos de referir-nos, os termos espírita e espiritismo (...).” (Kardec, 1997,
p. 13)
Em
meio ao ambiente positivista reinante à época, tomam corpo debates sobre o
magnetismo, sobre tecnologia e sobre a condição humana nas suas mais variadas
matizes, tendo como foco a discussão, hoje felizmente desconstruída, de raça.
Percebamos
que como um homem da sua época e de pensamento científico, Kardec irá
utilizar-se de alguns termos em voga no período, dentre eles o termo raça, que será utilizado na Codificação,
todavia não de forma pejorativa, mas como a maneira encontrada para explicar as
diferenças de evolução moral e técnico-social presentes no orbe terrestre.
No
Brasil em um mesmo período, a escravidão dos povos trazidos do continente
africano dava seus últimos suspiros o que culminou com a abolição em 1888, três
séculos depois, deixando marcas presentes em nossa sociedade como herança de um
período de "desumanizou" o ser negro.
Nossa sociedade ainda construída sob
os alicerces das hierarquias raciais, relegou ao negro, agora ex-escravizados,
a condição de marginais, sejam através dos seus corpos, sejam através de sua
cultura ou manifestações religiosas.
O conhecimento espírita, neste
processo, nos esclarece que: “É contrária à
Natureza a lei humana que consagra a escravidão, pois que assemelha o homem ao
irracional e o degrada física e moralmente.” (Kardec, 1988, p. 322). Embora
tenha passado 131 anos da abolição, o racismo ainda permeia nossas relações,
sejam invisibilizando, destacando, segregando ou ignorando indivíduos e
populações segundo a situação ou conveniência. Nessa perspectiva, de posse do
cabedal da Doutrina Espírita, devemos propor e efetivar mudanças dos paradigmas
que sustentam nossas relações sociais tornando claro o que se passa em nossa
sociedade, desenvolvendo sentimento de alteridade, respeito às diferenças e
"desmontando" essa hierarquia que é nada senão uma construção
cultural para espíritos que são imortais.
Como toda nova ideia a Doutrina
Espírita passa a sofrer perseguições dos setores mais conservadores da
sociedade, notadamente dos meios científico e religioso, O Auto-de-Fé em
Barcelona, ocorrido no dia 09 de outubro de 1861, onde trezentos volumes de
diversos títulos espíritas foram apreendidos e queimados, no ato de
intransigência é um exemplo disso.
Ao longo da história tivemos vários
exemplos de intolerância. Roma queimou os primeiros cristãos, numa tentativa de
apagar a mensagem do Cristianismo. Na Idade Média, pessoas foram queimadas em
praça pública por pensar de forma contrária à ideia dominante. Hoje túmulos,
imagens de santos/as católicas, centros espíritas e terreiros são apedrejados.
Segundo
a ONU, o mundo vive a maior crise, após a segunda Guerra Mundial,de refugiados,
por motivos de guerra, perseguição política, étnica e religiosa. Um fato
percorreu as páginas dos mais importantes jornais do mundo. A foto do menino
sírio AylanKurdi, refugiado, de 3 anos, encontrado morto em uma praia turca de
Ali HorcaBurnu. Esse garoto é a representação de tantas outras crianças que
morreram e morrem na tentativa de encontrar uma vida melhor.
Este
ano, No Rio de Janeiro, uma criança de 11 anos, negra, de candomblé, foi
xingada por um grupo de religiosos que gritaram: “Sai satanás, queima! Você vai
para o inferno!” E em seguida, arremessaram uma pedra que atingiu a cabeça da
menina. A pedra pode ter deixado marcas em seu corpo, mas a intolerância
deixou-lhe marcas mais profundas em sua alma.
Paradoxalmente,
os mesmos religiosos que pregam a paz, o amor, a mensagem de Jesus, são os
mesmos que perseguem e matam em nome de Deus! O Papa Francisco, um homem que
promove a paz por onde passa, sempre está lembrando sobre a necessidade do
diálogo entre as religiões e uma convivência pacífica.
A
Doutrina Espírita nos explica que o Homem de Bem “é bom, humano e benevolente
para com todos, sem distinção de raças nem de crenças, porque vê todos os
homens como irmãos. Respeita nos outros todas as convicções sinceras, e não
lança o anátema aos que não pensam como ele” (KARDEC, 2012, p. 307-308).
A
religião é um caminho que nos leva a Deus. Cada um a escolhe como se sente bem.
O espiritismo, doutrina de educação por excelência, nos ensina os meios para
construir em nós o protótipo do homem de bem e o Reino de Deus na Terra, a
respeitar às diversas religiões no mundo e aprender que o diálogo pode unir as
diferenças.
REFERÊNCIAS
KARDEC,
Allan. O Livro dos Espíritos. 40°
ed. São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1988.
_______________.
O Livro dos Espíritos. 77° ed. Rio
de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1997.
________________.
O Evangelho Segundo o Espiritismo.
130° ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2012.
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