sexta-feira, 1 de maio de 2020

Espiritismo, Políticas e Promoção Social.


Ética no dia-a-dia das relações pessoais e Profissionais
Espiritismo, Políticas e Promoção Social.
Texto do eixo de pesquisa Espiritismo Políticas e Promoção Social.
Produção Ceça Lima.

 “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará — João 8:32
O estudo nos educa, nos informa e clareia nossa visão. NOS TRANSFORMA, para transformarmos o nosso entorno. Mas, no tocante ao saber sobre direitos sociais, por várias vezes, fizemos ou ouvimos trabalhadores (as) espíritas dizendo querer se ver longe de certas discussões do cunho social. Mesmo as que se refiram às desigualdades de riquezas e injustiças sociais, até mesmo perguntando: ” O que EU tenho com isso? PREFIRO FICAR DE FORA. Por que ou para que, discutir isso na casa espírita? Seria isso preocupação de Espíritas Materialistas (Sim. Existe quem fale isso e em tom ofensivo). ”
Acredito que trazer algumas histórias reais do cotidiano, poderia nos ajudar nas reflexões para construção desse texto. E, quem sabe, nos ajudar a desenvolvermos um trabalho de diálogo. Onde, a pessoa leitora entenda melhor, seja por recordar alguém ou por ela própria se identificar descrita em algumas linhas. Então, agora lhes convido a divagar pela imaginação. Mas, antes lhes peço licença para dizer que “qualquer semelhança será mera coincidência. ”
Imagine que um Indivíduo ativo da sociedade espírita que você frequenta, sofreu um acidente e está impossibilitado de trabalhar, ou foi demitido e ficou sem renda, ou por uma desventura foi preso deixando família sem recursos, ou faleceu (deixando filhos menores de idade e viúva). Vale imaginar também, que chegou visitante de fora e bateu à porta do “nosso” centro espírita, com demandas semelhantes. E que, em todos os casos, não há previsão para que surja alguma reversão das consequências dos fatos ocorridos. Ou suponhamos que um vírus chamado COVID-19 surgiu devastando a humanidade. E que para combate-lo e salvar muitas vidas, se faz preciso praticar o isolamento social, por tempo indeterminado. E que por isso, muita gente ficará sem renda nesse período, até tudo se arrumar outra vez.
Imaginação ativada, agora trago a seguinte pergunta: Seria o centro espírita, através, seja do setor de atendimento fraterno, da sopa, da feira e/ou do enxoval, suficientemente capaz de suprir tantas necessidades da proteção básica, numa situação de tantas fragilidades? Ou seria mais coerente se apropriar dos caminhos para adquirir o acesso às políticas públicas vigentes no nosso país e que poderá ajudar de forma muito mais eficaz, a diminuir as expressões da questão social, que batem nas portas dessas histórias imaginadas?
Caro(a) leitor(a), se a essa altura você já se sente interessado(a) em conhecer outras formas, outros caminhos e novos espaços para poder encaminhar quem procura o centro, fale bem alto em sua mente que “SIM. Isso é da minha conta e eu quero entender melhor sobre isso. Para melhor poder de fato AJUDAR. ”
Como somos espíritos ainda encarnados e pagadores dos “tributos à César” (impostos), cumprindo com as nossas obrigações terrenas, temos o DIREITO de reivindicar o retorno de tais compromissos cumpridos para com o Estado, que por sua vez deverá cumprir o seu DEVER no tocante ao que está posto na Constituição da República Federativa do Brasil(1988) onde nos traz:

Título VIII 
Da Ordem Social

Capítulo II   
Da Seguridade Social


Seção I   
Disposições Gerais



Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Parágrafo único. Compete ao poder público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos: I -  universalidade da cobertura e do atendimento; II -  uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais;  III -  seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;  IV -  irredutibilidade do valor dos benefícios; V -  equidade na forma de participação no custeio;  VI -  diversidade da base de financiamento  VII -  caráter democrático e descentralizado da gestão administrativa, com a participação da comunidade, em especial de trabalhadores, empresários e aposentados.


Agora que já sabemos da existência de uma seguridade social complementar, destacamos que, "A Assistência Social é a política de seguridade social, que prevê os mínimos direitos sociais, realizados através de ações integradas de iniciativa pública e da sociedade civil para garantir o atendimento às necessidades básicas. E assim vimos compartilhar a ideia do quanto precisamos quebrar a barreira do preconceito e tentar aprender sobre alguns exemplos de políticas públicas como: Bolsa Família, Isenção em Concurso Público, Tarifa Social de Energia, Benefício de Prestação Continuada-BPC(LOAS), Auxilio Funeral, Auxilio Reclusão, Carteira de Habilitação Nacional-CNH Popular, Identidade Jovem, Auxílio Emergencial, Etc... Como tantas outras, voltadas para saúde e previdência social.
Se, você considerou a constituição brasileira, viu que nela aprendemos que ao Estado compete assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.  Criando ações socioassistenciais preventivas e protetivas, que são DEVER do Estado e DIREITO dos cidadãos e cidadãs. Essas ações têm por finalidade atender a população que vive em situação de fragilidade decorrente da pobreza, ausência de renda, acesso precário ou nulo aos serviços públicos e/ou fragilização de vínculos afetivos por: discriminações etárias, étnicas, religiosa, gênero, identidade de gênero ou por deficiências, entre outras.
Portanto, percebe-se que não são as ditas caridades materiais que devemos priorizar e unicamente considerar, quando pensamos em ajudar quem nos procura no centro espírita. E quanto a essa questão, o espiritismo nos oferta as seguintes certezas em O Livro dos Espíritos - Item 888:

“Condenando-se a pedir esmola, o homem se degrada física e moralmente: embrutece-se. Uma sociedade que se baseie na lei de Deus e na justiça deve prover à vida do fraco, sem que haja para ele humilhação. Deve assegurar a existência dos que não podem trabalhar, sem lhes deixar a vida à mercê do acaso e da boa-vontade de alguns.”

E ainda temos o Evangelho de Jesus, que nos mostra o verdadeiro sentido da caridade e sublimidade do conceito de amor ao próximo, conforme concluímos dos seus ensinos:

Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e me deram algo para beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês me visitaram' (Mateus XXV.31-46); O Bom Samaritano (Lucas X: 25-37); “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei também a eles...” (Mateus VII:12); “Tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem.” (Lucas VI:31); O que é necessário para salvar-se (Mateus XXV:31-46); O amar aos inimigos (Mateus V:43-47; Lucas VI:32-36).

Na sua obra O Espiritismo e os Problemas Humanos, Deolindo Amorim, nos fala que:
“Com estas questões que não podem deixar de entrar em nossas cogitações, porque os problemas existem, estão aí, com eles nos defrontamos a todo o momento, o que desejamos é, naturalmente, formular um convite, para que pensemos em conjunto, procurando auscultar e sentir em profundidade o autêntico espírito da Doutrina.”.

 Ao que o codificador de Lion nos acrescenta:
“Moralmente, a Humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e   do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo que o melhoramento do globo se opera sob a ação das forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência. Saneiam as regiões insalubres, tornam mais fáceis as comunicações e mais produtiva a terra.” Em A Gênese no Cap. XVIII.

Em A Gênese" cap. XVIII, item 25 lemos que:
a solução da questão social, diz Kardec, está toda no melhoramento moral dos indivíduos e das massas. Não é o Espiritismo que cria a renovação social, mas o amadurecimento da humanidade que fará disso uma necessidade.

Já com os questionamentos feitos por Kardec aos espíritos, somos ainda mais esclarecidos com as seguintes respostas:

806. A desigualdade das condições sociais é uma lei natural? — Não; é obra do homem e não de Deus.   806 – a) Essa desigualdade desaparecerá um dia?  — Só as leis de Deus são eternas. Não a vês desaparecer pouco a pouco, todos os dias? Essa desigualdade desaparecerá juntamente com a predominância do orgulho e do egoísmo, restando tão somente a desigualdade do mérito. Chegará um dia em que os membros da grande família dos filhos de Deus não mais se olharão como de sangue mais ou menos puro, pois somente o Espírito é mais puro ou menos puro, e isso não depende da posição social. 807. Que pensar dos que abusam da superioridade de sua posição social para oprimir o fraco em seu proveito? — Esses merecem o anátema; infelizes deles! Serão oprimidos por sua vez e renascerão numa existência em que sofrerão tudo o que fizeram sofrer. (Ver item 684.)

Para reforçar nossas reflexões lemos em Manuel Porteiro, que nos traz na sua obra Conceito Espírita de Sociologia:

...”Ante esta perspectiva grandiosa que o Espiritismo nos oferece para a sociedade do futuro, e que não é, como se costuma dizer, uma concepção utópica, “produto de cérebro anarquizado”, como poderíamos nós espíritas permanecer indiferentes diante dos crimes sociais, da exploração de uma classe dominante, que garante seu poderio e o monopólio da riqueza social na razão da força, sobre a ignorância dos povos e o falso ensinamento de uma moral interesseira? Como poderíamos concordar com esta ordem social estabelecida sobre a desordem dirigida pelo império da força? Como poderíamos contemplar a imoralidade, o vício, a injustiça, a exploração e o roubo sociais – que se querem fazer passar por coisas muito justas, boas, morais – sem manifestar nosso repúdio? Como poderíamos conviver com a hipocrisia e a mentira, se os princípios que sustentamos a elas se opõem? Como, enfim, poderíamos nos conformar com a situação do regime atual criado sobre privilégios iníquos, se o Espiritismo nos fala de uma sociedade melhor, de paz, de amor, de fraternidade e de justiça, e da possibilidade de realizá-la? Quem há de realizá-la, admitida sua possibilidade, se não os homens que nela creem, por seu esforço contínuo, com a prédica perseverante, com o propósito declarado à paz do mundo, com a ação constante no impulso moralizador nessa direção e pelos meios mais eficazes e convincentes?

Agora, para o encerramento de nossas reflexões, negando ser invencionismo ou coisa de “espíritas materialistas”, trazer tais debates para as discussões espíritas, achando que o curso do sofrimento deva seguir, em favor de um “resgate das dívidas ou provas”, e por isso não deve-se pôr termo às provas do próximo, deixaremos como tarefa de casa, sugestão para irem buscar o que Bernardim, espírito protetor, responde em Bordeaux, em 1863, demonstrando quanto é necessário o estudo e a reflexão das ideias e de conceitos pessoais, a fim de evitar-se conclusões erradas(O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capitulo V - ITEM 27 - - BERNARDIM - ESP. PROTETOR, BORDEAUX 1863).

Carta do Editor - 6º Editorial.

  Espiritismo Progressista, sem amor, é falácia! Falamos constantemente sobre a liberdade que Kardec conclama ao elevar o ser Espiritual a c...