segunda-feira, 9 de setembro de 2019

CARTA DO EDITOR - 3º EDITORIAL

O Espiritismo tem lado, o lado do amor

     Chegamos em um momento onde agredir e ser agressor é mais importante que amar e ser sensível. 

      No mundo das diversidades, é tão estranho perceber que um prefeito com tantas ocupações e tanto trabalho para mostrar sua honestidade, já que vive sempre em voltas com questionamentos da justiça, usa de uma prerrogativa tão perigosa quanto a censura, manda recolher livros de uma bienal literária por imaginar que um beijo é nocivo à sociedade, em uma ação que reflete intolerância e preconceito homofóbico, em uma demonstração pública de desamor. 

        A história demonstra que a junção do fundamentalismo religioso e a política não nos trazem boas lembranças, os efeitos desta união foram sempre danosos e dolorosos, portanto vemos com temor esta reaproximação cada vez mais incisiva na sociedade brasileira. 

     Mas a nossa maior tristeza não é com os políticos conservadores da direita extrema, deles já esperamos estas ações, mas do nosso próprio povo, de pessoas que estão nas entranhas da sociedade, de onde emana todas as dores ocasionadas pelas mazelas sociais, isso sim nos causa dores íntimas profundas. 

     Penso: A sociedade perdeu a inocência? Ou nunca foi inocente? A sociedade não é pacata? Ou nunca foi pacata? 

      Pessoas que conhecem a violência tão de perto, estarem felizes, quando um corpo tomba sem vida abatido pela violência do Estado, e lutando para vociferarem justificativas vis de que se a violência é praticada pelo estado não é violência, por isso, segundo algumas autoridades, os números da famigerada morte diminuíram, estão morrendo menos pessoas, corpos negros, femininos, LGBTS e pobres não importam, por isso se morrerem por efeito colateral de 80 tiros, ou de 5 pelas costas é bala perdida. Desde que a camada branca, rica e poderosa da sociedade esteja em paz, o que ocorrer desta ação são apenas danos calculados. Na prática a violência não diminuiu, as pessoas não deixaram de morrer, e morte é morte, violência é violência, as pessoas continuam morrendo, só que o Estado é responsável pelas mortes que subtrai das estatísticas. 

      E por falar em covardia e assassinato onde está quem matou e quem mandou matar Marielle? 

     “Lá vem o Brasil descendo a ladeira”, a ladeira da ética foi e está sendo vendida pela força do fundamentalismo religioso e da falsa moral, que criminaliza o amor e torna a violência, o assassinato, a homofobia, o racismo, sexismo, xenofobia, machismo, a intolerância religiosa algo natural a tal ponto que se criaram "Mitos", mitos do ódio. O bezerro de ouro do século XXI não é de ouro é de tolices, maldades, preconceitos e crueldades. 

      Bom que se fale que o Espiritismo não está alheio a tudo isso que está acontecendo, a doutrina nos convida ao amor, pensemos em Jesus dizendo em Marcos 12: 30,31: “Amarás, portanto, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força", mas e se acrescentássemos  “bandido bom é bandido morto?” Não coaduna com o que nos diz Jesus e consequentemente a Doutrina Espírita, não é possível a união das duas filosofias a do amor e a da violência. 

      Acreditamos na caridade e o amor para nós Espíritas tem a sublime missão de promover através de nossas posturas e comportamentos uma sociedade melhor, portanto se faz necessário perceber que quando discutimos violência, pensamentos e ações que insistem em validá-la em nosso meio, estamos lutando para que entendamos que o amor segundo Jesus e segundo o Espiritismo não institui prosélitos, não somos ensinados a amar este em detrimento daqueles, não institui-se categorias de seres humanos para merecerem nosso amor, somos todos seres humanos, e o amor é um sentimento ligado a nossa condição de espiritualidade e não de materialidade. 

Portanto não devemos amar as pessoas por serem brancas, ricas, heteros, Espíritas, devemos amá-las por entendermos sermos todas e todos Espíritos em construção e estarmos todos emergidos na terra em busca constante de evoluirmos e fazermos do amor a nossa tônica de vida, e assim construirmos através de nós uma sociedade mais justa, igual e amorosa. 

Equipe Editorial Ágora Espírita: Alexandre Júnior

Carta do Editor - 6º Editorial.

  Espiritismo Progressista, sem amor, é falácia! Falamos constantemente sobre a liberdade que Kardec conclama ao elevar o ser Espiritual a c...