quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Carta do Editor - 6º Editorial.

 





Espiritismo Progressista, sem amor, é falácia!


Falamos constantemente sobre a liberdade que Kardec conclama ao elevar o ser Espiritual a condição de “Livre Pensador”.  O objetivo desta transcendência da liberdade intelectual dos habitantes do orbe, é ascender este espirito a uma vivência autônoma das suas próprias demandas. É viver um processo de autoconstrução, consciente da concepção das leis naturais nas ações da condição humana a partir das nossas próprias compreensões e comportamentos.

Saímos assim do período da inconsciência de nossos atos, para o período da vivência comportamental, pois, o Espiritismo é uma Doutrina comportamental e não contemplativa. Quando falamos, escrevemos e ou discutimos em nome do Espiritismo, as nossas convicções pessoais devem ser relegadas a segundo plano, sob pena de nos constituirmos personalistas, ou, de confundirmos o que pensamos com o próprio Espiritismo; ou, imaginarmos pelos motivos citados acima, que aquilo que falamos trata-se de uma verdade universal e absoluta, o que bem sabemos não é um fato.

As discordâncias fazem parte dos cenários sociais, ajudam na construção da sociedade e compõem as lutas. Em que pese, que a forma com que discordamos, é a compreensão das demandas humanas em uma perspectiva plural, defender ideais com violência, seja ela virtual, emocional, psicológica, com o objetivo de cancelar o que outro pensa, e consequentemente quem ele é, não é nem democrático, quiçá, Espírita.

O Movimento Espírita Progressista, assim como todo e qualquer movimento organizado por seres humanos, possuem as suas dificuldades de atuação, pois encontra em seus atores, pessoas normais, desta maneira, egos inflados, associados a destemperos emocionais, desaguam em desrespeito e arbitrariedade. Precisamos repensar as nossas práticas com urgência, sob pena, de sermos o mesmo Movimento Espírita instituído a mais de um século, apenas com uma diferença: o fato de sermos do espectro de Esquerda.

Não me incomoda sermos taxados de “cafonas”, “progressistas de Direita”; mas, política sem amor, “ NÃO É ESPIRITISMO”, nem progressista nem conservador, se me valho de uma compreensão social da vida para oprimir outras pessoas, “ NÃO É ESPIRITISMO”. O Espiritismo nos convida: a amar, ao debate lúcido, respeitoso. Não somos obrigados a concordar com nada, imagina com tudo, mas temos o dever de entender o outro, como cidadãos que somos, aprendemos a respeitar os diferentes, como Espíritas que nos dizemos ser, somos educados a “AMAR”, os diferentes, bem como as diferenças.

Há momentos que nos propiciam aprendizados e possuem o objetivo, não velado, mas, escancarado, de provar para nós mesmos, que não estamos tão distantes assim uns dos outros, oxalá nos sirva, para trabalharmos a humildade de percebermos, sentirmos, que o outro está apenas em um momento diferente do nosso e apenas um rótulo de  “Espírita Progressista”, sem uma ação que coadune com  a adjetivação, de nada nos vale, nada nos engrandece e o que é pior, em nada muda a sociedade, tal quanto a desigualdade e a injustiça social, estas precisam ser rompidas primeiramente em nós, depois sim, trabalhemos juntos para a construção deste reino na terra, como já nos dizia o saudoso Herculano Pires. Até lá, doa, em quem doer, “Progressistas ou Conservadores”, precisamos sim propiciar o diálogo, pois, sem ele não avançaremos, seja em que seara for, o que nos deixa cientes, de que no campo das humanidades, temos muita coisa ainda para aprendermos uns com os outros.

Uma coisa é certa, não dá para sermos Sexistas, Misóginos, Racistas, LGBTfobicos, Machistas, Xenofóbicos e buscar pontos ou vírgulas na Doutrina Espírita, que justifiquem tais violências, ou, aviltar a intimidade das pessoas com cancelamentos e linchamentos virtuais ou presenciais, que de maneira alguma são ações validadas pelo Espiritismo.

Nossa solidariedade a todas e todos, que além da vileza de um Brasil pandêmico, foram de alguma forma vítimas de qualquer tipo de violência e ou cancelamento, sejam estes presencias ou virtuais.


Editorial Ágora Espírita: Alexandre Júnior


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

AFINAL, O QUE É O ESPIRITISMO LAICO?

Por Salomão Jacob Benchaya


Não tendo o espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião,

 na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se

com um título sobre cujo valor, inevitavelmente, se teria equivocado.

Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.

(Allan Kardec – RE dez/1868)


Adjetivação, origem e contexto

A rigor, o espiritismo não deveria ser adjetivado. A expressão espiritismo laico só existe por necessidade comunicacional de distinguir-se do espiritismo cristão ou evangélico, segmento majoritário liderado pela FEB. No movimento espírita, é constituído pelos que consideram o espiritismo sob uma perspectiva laica, humanista, livre-pensadora, progressista, pluralista e alteritária. A expressão “espiritismo laico” é tão imprópria como “espiritismo cristão” ou “espiritismo religioso”, mas permite identificar as posturas decorrentes, na prática espírita, de uma ou de outra posição. Queiramos ou não, é forçoso admitir que os espíritas se agrupam por preferências e particularidades formando segmentos ou vertentes, tais como, religiosos ou evangélicos ou cristãos, laicos ou não religiosos, roustainguistas, ubaldistas, ramatizistas, armondistas, apometristas, chiquistas, divaldistas, etc.

O espiritismo laico e livre-pensador contrapõe-se ao modelo dominante de espiritismo religioso, cristão e/ou evangélico. Enquanto o espiritismo religioso apregoa a tríade ciência-filosofia-religião, os laicos preferem ciência-filosofia-moral, embora admitam que Kardec nunca propôs essa tripartição. Kardec classificava o espiritismo como ciência filosófica de consequências morais. A definição de espiritismo dada por Kardec na Introdução do livro “O que é o Espiritismo” expressava essa condição epistemológica.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Necropolítica, Psicanálise e Espiritismo

               

        


                                        Por Lindemberg Castro

 

A pandemia causada pelo novo coronavírus escancarou ainda mais diversas contradições a partir do mundo patologicamente considerado “normal”, no qual, mesmo agonizando em inúmeras desigualdades sociais, estávamos “acostumados” a viver (ou sobreviver). Com a ideia de um “novo normal”, que para muitos parece uma realidade alternativa já instalada, vemos que o tal “novo normal” é ainda mais cínico em seus discursos, justificando as desigualdades sociais de toda ordem, movimentando vidas humanas como peças de uma engrenagem (o que surpreenderia até mesmo Foucault), e banalizando a vida, reificando o ser humano (exatamente como nos previu George Lukács). No processo de reificação a partir das atividades capitalistas e produtivas, o ser humano passa a ser identificado cada vez mais como objeto inanimado e seu valor está diretamente relacionado com uma medida quantitativa dentro da produção de objetos ou mercadorias circulantes, perdendo a sua autonomia, a sua autoconsciência e a consciência da realidade que o cerca.

A Necropolítica nunca esteve tão fortalecida, como em nossos tempos atuais! Passamos de uma normose da qual nos queixávamos pela falta de tempo, pela baixa qualidade de vida ou pelo excesso de trabalho, para uma normose amplamente difundida, aceita e justificada pelos discursos neoliberais, discursos de ódio, notícias falsas, e relativização da vida humana possivelmente vitimada em plena pandemia, mas não necessariamente uma vida chorável ao ser perdida, como nos lembra Judith Butler (dentro da necropolítica, nem todas as vidas perdidas são choráveis). O mal-estar da civilização atingiu patamares ainda maiores, que surpreenderiam até mesmo Freud, devido ao esforço contínuo do ser humano em normatizar todos os instintos de morte a que nos alerta Herculano Pires em “Educação para a Morte” (2016).

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Espiritismo, Saúde Mental e Direitos Humanos

 



Texto do Eixo de Pesquisa:
Espiritismo, Saúde Mental e Direitos Humanos.

Produção:  Claudia Rejane Brandão da Silva, Lindemberg Jackson Sousa de Castro, Tânia Maria Diôgo do Nascimento, Vânia Lúcia Rodrigues do Carmo


1.0 INTRODUÇÃO

Atualmente, os contextos que envolvem a Saúde Mental, tem merecido cada vez mais atenção, na sociedade em geral, pois cresce a demanda por formações/cursos/palestras/orientações que englobem prevenção aos diversos tipos de adoecimento psíquico, bem como os protocolos de atendimento e manejo básico de casos mais graves como a ocorrência da depressão e do suicídio. É importante ressaltarmos que, antes mesmo da pandemia pelo novo Coronavírus, já vivenciávamos outra, a de suicídio, mas, devido aos tabus sociais no trato com as temáticas da saúde mental (inclusive no meio espírita) e à falta de políticas públicas adequadas ao atendimento e manejo da população em adoecimento psíquico, essa situação é amplamente invisibilizada ou tratada apenas no âmbito moralista do religiosismo.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Carta do Editor - 5º Editorial.

 

Eu só queria uma boneca...


O julgamento dos homens, que usam de preconceitos para auferir a dignidade de uma criança, uma menina. A mesma balança com que aferem as mulheres na sociedade, são cravados até a alma de machismos e sexismos, com o agravante de possuírem a consciência entorpecida pela religião, o ópio da sociedade dos “homens de bem”, deliberam e vociferam atados aos seus ódios divinos, assassina, assassina, assassina.

Usam da violência, e dizem desejar a paz, mas, são incapazes de sensibilizarem-se pela dor de outras pessoas, dizem que se valem do amor de um preso político, que foi julgado, aviltado e morto, por outros tantos déspotas, que vociferavam tal qual fizeram com esta inocente criança: Barrabás, Barrabás, Barrabás...

Carta do Editor - 6º Editorial.

  Espiritismo Progressista, sem amor, é falácia! Falamos constantemente sobre a liberdade que Kardec conclama ao elevar o ser Espiritual a c...